Exposição de pintura “24 Minutos”, de Rui Augusto, na Galeria do Mercado Municipal

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Enquadrada no programa da FICOR, a exposição individual “24 Minutos”, do pintor coruchense Rui Augusto, abriu portas no dia 30 de maio, pelas 11 horas, na Galeria do Mercado Municipal de Coruche, onde esteve patente até 20 de junho. Rui Augusto, artista autodidata e emergente do Concelho, reúne 24 obras pelas quais entretece influências diversas que desaguam na hibridez da sua criação artística singular, resultante de abordagens em pot-pourri de técnicas e inspirações diversificadas. É, aliás, através desse exercício de miscigenação tátil e estética que o autor manipula cores, materiais e técnicas, introduzindo frequentemente referências à vila de Coruche em obras de caráter universal. “24 Minutos” é o título da exposição, mas também o tempo ao longo do qual o autor desafia o visitante a apreciar a obra exposta, dedicando um minuto a cada quadro.

O pintor Rui Augusto encontra-se na sua quarta fase criativa, que se traduz na transição da representação inspirada de obras de artistas de referência para a criação estética pura, impregnada pelo imaginário particular do autor. Considerando-se em processo de transformação, Rui Augusto transita, também ele, para um momento de afirmação da sua obra, uma vez percorrido um longo curso de aprendizagens e de experiências adquiridas pelo autodidatismo. “Metamorfose” é, precisamente, o título do quadro que centraliza as atenções e que pontifica o percurso expositivo, percorrido ao som de música dos anos 20, 30 e 40 do século passado – a música que foi também banda sonora dos pintores de referência de Rui Augusto.


A esse propósito, entre os artistas portugueses e internacionais que notoriamente influenciam Rui Augusto estão nomes como José de Almada Negreiros, Júlio Pomar, Paula Rego, Amadeo de Souza-Cardoso, Pablo Picasso, Joan Miró, Georges Braque, Fernando Botero, Paul Gauguin, Salvador Dalí, Juan Gris, Fernand Léger, Paul Cézanne e o artista contemporâneo espanhol Belin (Miguel Ángel Belinchón Bujes). Em simultâneo, a miscigenação criativa do autor expande-se à introdução de referências ora simbólicas, ora evidentes a Coruche, como, por exemplo, o castelo e a ermida. O pintor, que ao longo dos anos participou em exposições municipais, familiarizou-se expressivamente com a pintura em tinta da China e, a partir de 2014, consolidou técnicas em acrílico sobre tela ao longo de três anos de ensaios pictóricos.


A natureza do tempo e as suas aceções perpassam também a obra de Rui Augusto. Do conceito de tempo absoluto para efeitos científicos, como fluxo monótono, contínuo, uniforme e crescente, para a aceção de tempo plástico e abstrato, Rui Augusto desafia-nos a fruir de um tempo para olhar e apreciar – um tempo de esperança para desfrutar e sentir. Nesse sentido, também o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman constatou a falência da apreciação semiótica do mundo à luz da relatividade do tempo: “Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar.” É nesta conceptualização de modernidade líquida que Rui Augusto metamorfoseia a sua própria realidade, consolidando o seu percurso e a sua demanda, emergindo não como um autodidata, mas como um autor sazonado cujo sonho é viver da sua Arte.

Rui Augusto, breve biografia

 

Rui António da Costa Agostinho Fernandes Augusto nasceu a 27 de junho de 1972, em Santarém. Frequentou o Curso Secundário Vocacional de Iniciação às Artes Plásticas, Design e Arquitetura na Escola Secundário Ginestal Machado e, mais tarde, cursou durante quatro anos as Oficinas Criativas e Artísticas do mestre modelador ceramista José David Esteves, ou Relvas, responsável por diversas obras que ornam espaços municipais. Com Relvas, Rui Augusto aprendeu a arte da cerâmica e da pintura em azulejo e barro vidrado.
Ao longo dos anos, o autor participou em exposições municipais, nomeadamente nas Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo e no projeto Envolvências Locais, da Bienal de Coruche. Familiarizou-se expressivamente com a pintura em tinta da China e, a partir de 2014, consolidou técnicas em acrílico sobre tela ao longo de três anos de ensaios pictóricos. Em 2017 participou na Bienal de Coruche, no Espaço Expositivo IV com as obras “Encontro Familiar”, “Metamorfose” e “Degustando”.


Em 2019 foi incluído na coletiva criativa e artística do Programa Trajetos – Sociedade, Cultura e Igualdade, nomeadamente nos âmbitos de correlação da pintura ao empreendedorismo e da reprodutibilidade da obra em cerâmica e têxtil. Já em 2020 participou novamente na coletiva, integrada no mesmo programa municipal.
 

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